Oitenta quilos pesava,
setenta e cinco ou oitenta,
a cruz que Ele carregava a
longa estrada poeirenta
Andava um pouco,
parava,
agora já não agüenta,
sangravam as mãos,
sangrava
todo corpo que a sustenta.
Caiu três vezes,
pesando sobre os seus ombros a cruz,
e os soldados o acoitando.
ai que peso Ele conduz!...
Exausto, ferido, exangue,
cabelos em desalinho,
escreve um poema de sangue,
no duro lenho de pinho.
O látego é duro e rude;
caiu De novo se ergueu.
já não á mais que o ajude,
já não vive o Cirineu.
Levanta.
Tomba de novo sujo de pó, machucado
sob os deboches do povo
e o sadismo do soldado.
Seu olhar quase se apaga,
não há gemido nem rogo,
arde o corpo como chama -vermelha
chaga de fogo.
Tem quatro metros de altura,
os braços dois metros tem.
Como o madeiro torturao menino de Belém!
Já não há palmas e festa
na mensagem dos caminhos e a coroa rasga a testa
com punhaladas de espinhos.
Mas o peso mais pesado que o
carpinteiro conduz
não é de pinho entalhado
na forma infame da cruz.
Não é o chicote ousa
doque cicatrizes produz
O que pesa é o meu pecado
Sobre os ombros de Jesus!
Autor: Desconhecido
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário