sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O julgamento

Havia numa aldeia um velho muito pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco...
Reis ofereciam quantias fabulosas pelo cavalo, mas o homem dizia:
- Este cavalo não é um cavalo para mim, é uma pessoa.
E como se pode vender uma pessoa, um amigo?
O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo.
Numa manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira.
A aldeia inteira se reuniu, e disseram:
- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado.
Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça.
O velho disse:
- Não cheguem a tanto.
Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira.
Este é o fato, o resto é julgamento.
Trata-se de uma desgraça ou de uma benção, não sei, porque este e apenas um julgamento.
Quem pode saber o que vai se seguir?
As pessoas riram do velho.
Elas sempre souberam que ele era um pouco louco.
Mas, quinze dias depois, de repente, numa noite, o cavalo voltou.
Ele não havia sido roubado, ele havia fugido para a floresta.
E não apenas isso, ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente, as pessoas se reuniram e disseram:
- Velho você estava certo.
Não se trata de uma desgraça, na verdade provou ser um benção.
O velho disse:
- Vocês estão se adiantando mais uma vez.
Apenas digam que o cavalo está de volta.
Quem sabe se e uma benção ou não?
Este e apenas um fragmento.
Você lê uma única palavra de uma sentença
- como pode julgar todo o livro?
Desta vez, as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente sabiam que ele estava errado.
Doze lindos cavalos tinham vindo.
O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens.
Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas.
As pessoas se reuniram e, mais uma vez julgaram, elas disseram:
- Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça.
Seu único filho perdeu o uso das pernas, e na sua velhice ele era seu único amparo.
Agora você está mais pobre do que nunca.
O velho disse.
- Vocês estão obcecados por julgamento.
Não se adiantem tanto.
Digam apenas que meu filho fraturou as pernas.
Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma benção.
A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado.
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o pais entrou em guerra, e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar.
Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois se recuperava das fraturas.
A cidade inteira estava chorando, lamentando-se porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria.
eles vieram até o velho e disseram:
- Você tinha razão, velho
- aquilo se revelou uma benção.
Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você.
Nossos filhos foram-se para sempre.
O velho disse:
- Vocês continuam julgando.
Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi.
Mas somente Deus sabe se isso é uma benção ou uma desgraça. Não julgue, porque dessa maneira jamais se tornará um com a totalidade.
Você ficará obcecado com fragmentos, pulará para as conclusões a partir de coisas pequenas.
Quando você julga você deixa de crescer.
Julgamento significa um estado mental estagnado.
E a mente deseja julgar, por estar em um processo que é sempre arriscado e desconfortável.
Na verdade, a jornada nunca chega ao fim.
Um caminho termina e outro começa: uma porta se fecha, outra se abre.
Você atinge um pico, sempre existirá um pico mais alto.
Aqueles que não julgam estão satisfeitos simplesmente em viver o momento presente e de nele crescer.
somente eles são capazes de caminhar com Deus.
Na próxima vez que você for tirar alguma conclusão apressada sobre um assunto ou sobre uma pessoa, lembre-se desta mensagem

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