terça-feira, 28 de outubro de 2008

O oleiro e o poeta.

Há muito tempo, em uma cidade, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta e um oleiro.

Para evitar que o tumulto se agravasse, eles foram levados à presença do juiz do lugar.

O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado.

- disseram que o senhor foi agredido.

- sim senhor – confirmou o oleiro- fui agredido em minha própria casa por este poeta.

Eu estava como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ruído e a seguir um baque.

Quando fui a janela pude constatar que este senhor havia atirado uma pedra com violência, que partiu um dos vasos que estava a secar perto da porta.

Exijo uma indenização- gritava o oleiro.

O juiz voltou-se para o poeta e perguntou-lhe serenamente.

- como justifica o seu estranho proceder?

- senhor juiz, o caso é simples, há três dias eu passei pela frente da casa do oleiro, quando percebi que ele declamava um dos meus poemas, notei com tristeza que os versos estavam errados. Meus poemas eram mutilados pelo oleiro.

Aproximei-me dele e ensinei-lhe a declamá-lo da forma correta, o que fez sem grande dificuldade.
No dia seguinte, passei pelo mesmo lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada.

Cheio de paciência tornei a ensinar-lhe a maneira correta e pedi-lhe que não tornasse a deturpá-los.

Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa dele, percebi que declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos.

Apanhei uma pedra e parti com ela um de seus vasos, como vê meu comportamento nada mais é do que uma represália pela conduta do oleiro.

Ao ouvir as alegações do poeta, o juiz dirigiu-se ao oleiro e declarou, que esse caso sirva de lição para o futuro.
Procure respeitar as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as suas.
Se você equivocadamente julgava-se no direito de quebrar o verso do poeta, achou-se também o poeta egoisticamente no direito de quebrar o seu vaso.

E a sentença foi a seguinte, determino que o oleiro fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta escreverá um de seus lindos versos.

Este vaso será vendido em leilão e a importância obtida pela venda deverá ser dividida em partes iguais entre ambos.

A notícia sobre a forma inesperada como o sábio juiz resolveu a disputa se espalhou rapidamente.

Foram vendidos muitos vaso adornados com os versos do poeta.

Em pouco tempo os dois prosperaram muito.

Tornaram-se amigos e casa qual passou a respeitar e admirar o trabalho do outro
Autor desconhecido

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